Parcerias no setor de óleo e gás explicam o sucesso do pré-sal brasileiro

Cristiano Silva Cristiano Rosa 31 de março de 2019 0 Comments

A parcerias são fundamentais para dividir riscos e reduzir as incertezas dos empreendimentos

Grande parte do avanço da produção de óleo e gás brasileira deve-se à formação de parcerias bem sucedidas entre as empresas. Elas são fundamentais para dividir riscos e reduzir as incertezas dos empreendimentos.

Graças à abertura do setor de óleo e gás natural no Brasil, há 20 anos, e a recentes mudanças no arcabouço regulatório do mercado, que vêm atraindo mais investidores estrangeiros, a Petrobras, a maior empresa offshore brasileira, mantém hoje nada menos que 120 parcerias, com 39 companhias de diversas nacionalidades.

O pré-sal é um bom exemplo de sucesso dessa estratégia. O campo de Lula, na Bacia de Santos, foi descoberto no bloco BM-S-11. O consórcio que há 18 anos arrematou a área tem a Petrobras como operadora (65%), em parceria com a anglo-holandesa Shell (25%) e a portuguesa Petrogal (10%) – a Shell entrou na sociedade após comprar a BG.

De um início no qual os parceiros sequer sabiam se seria possível perfurar na área, Lula representa hoje o maior projeto do mundo já desenvolvido em águas profundas. Em 2019, o campo deverá alcançar a marca de 1 milhão de barris de petróleo por dia, tornando-se o maior produtor de petróleo no mundo – mais que a atual produção de toda a Colômbia, de 870 mil barris diários.

Fundamentos para uma aliança de sucesso

Quais seriam os principais fundamentos para se formar – e manter – uma parceria de sucesso? A necessidade de dividir custos e riscos é o ponto de partida. Entretanto, aspectos como construção de confiança e respeito, cooperação tecnológica e um sistema de governança eficaz são considerados essenciais para uma parceria produtiva.

Confiança; parceria; agilidade; inovação; e sustentabilidade. Esses são os cinco pilares cruciais para a estruturação de consórcios por parte da Petrogal Brasil, reforça o CEO da petroleira, Miguel Pereira.
Daniel Pedroso, gerente geral de Gestão de Contratos de Produção da Petrobras, explica que o bom relacionamento deve estar alicerçado pelo trade operating agreement, documento que norteia as principais regras do consórcio.

O contrato firmado para o consórcio de Lula em 2000 é o mesmo até hoje e, segundo Pedroso, deverá continuar a orientar o grupo ao menos até 2037. E até o momento, três gerações de gestores das parceiras já passaram pelo grupo, o que mostra a perenidade do relacionamento.

Maiores produções em parceria

Os três maiores campos em produção de petróleo e gás natural no Brasil atualmente – Lula e Sapinhoá, em Santos, e Roncador, em Campos – são operados pela Petrobras em consórcios. Em Sapinhoá, a Petrobras (45%) tem sociedade com a Shell (30%) e a sino-espanhola Repsol Sinopec (25%). Em Roncador, a parceria é com a norueguesa Equinor (25%).

A sociedade em Roncador é recente – foi concluída em junho de 2018. Por US$ 2,9 bilhões, a Petrobras, que detinha 100% da área, vendeu parte dela para a Equinor. O negócio foi motivado pela experiência da norueguesa em aumentar a produção de campos offshore maduros, como Roncador.

* Essa matéria foi produzida durante a Rio Oil & Gas 2018

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

X