DESMONTE DE PLATAFORMAS DEVE MOVIMENTAR R$ 50 BILHÕES ATÉ 2040 NO BRASIL

Jair Brasil Jair Brasil 26 de agosto de 2019 0 Comments

NA MÍDIA – 26/08/19

DESMONTE DE PLATAFORMAS DEVE MOVIMENTAR R$ 50 BILHÕES ATÉ 2040 NO BRASIL

Ao mesmo tempo em que começa a se beneficiar do pré-sal, a indústria brasileira de petróleo e gás natural vive também o seu primeiro ciclo de desmonte, em que plataformas e infraestrutura interligada a elas são retiradas do mar e transformadas em sucata. O novo ciclo inaugura uma frente de negócios no País, que deve movimentar R$ 50 bilhões de 2020 a 2040, segundo projeção da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Existe o risco, porém, da contaminação do meio ambiente, inclusive de derramamento de material radioativo no mar, o que tem exigido a presença do Ibama e da Marinha no desenho dessa etapa da indústria.

“É uma oportunidade excelente de negócios, de geração de empregos, de atividades de engenharia, não só para os profissionais estabelecidos e maduros, como para estudantes, engenheiros e planejadores que vêm das universidades. Então, é uma oportunidade que a gente não pode deixar passar”, afirmou o superintendente de Segurança da Operação e Meio Ambiente da ANP, Raphael Moura, a uma plateia de executivos do setor, em palestra sobre o tema realizada pela FGV Energia, no Rio.

Pelas contas da agência reguladora, cerca de 100 plataformas devem ser desmontadas nos próximos 20 anos, a maior parte delas de propriedade da Petrobras. Em média, a vida útil de uma instalação do tipo é de 25 anos. No Brasil, há 66 delas nessa condição. Outras 23 estão se aproximando dessa idade e, em breve, também devem ser desmobilizadas. Há, portanto, 89 unidades candidatas ao desmonte. Um projeto piloto acaba de ser licitado pela Petrobras, o da plataforma instalada no campo de Cação, na Bacia de Campos – um contrato de US$ 30 milhões.

A ANP mira no exemplo do Mar do Norte para traçar o contorno dessa nova indústria no Brasil, que, nos meios técnicos, é conhecida como indústria de descomissionamento. O esperado é que, em três décadas, 40 bilhões de libras circulem na Escócia para desfazer plataformas instaladas em campos já em fase de declínio, o que deve gerar 20 mil empregos adicionais. “O descomissionamento permite a migração de profissionais. Temos potencial para gerar algo similar em nosso País, com uma grande vantagem: nós não só temos um período de crescimento da produção (no pré-sal) muito relevante, mas também de abrir esse novo mercado”, disse Moura.

Por enquanto, esse novo mercado está mobilizando empresas de consultoria, principalmente nas áreas de advocacia e meio ambiente, além da engenharia especializada em construção e montagem. “Quando colocaram as plataformas, ninguém pensou em tirar. Não houve pesquisa para isso. Não há de fato um mercado de descomissionamento no Brasil. Os estaleiros estão de olho”, ressaltou Juliana Pizzolato, advogada da área de societário de Kincaid Mendes Vianna

De origem dinamarquesa, a Ramboll, com experiência internacional nesse segmento, está montando um escritório no Rio de Janeiro. “À medida que os contratos entrarem, chamaremos mais profissionais. Talvez o Brasil não atinja um nível de mercado como o do Reino Unido, mas teremos algo expressivo”, projetou Gabriel Garcia, consultor ambiental da Ramboll.

Também a Método Engenharia, que há anos presta serviço de montagem em unidades fabris da Petrobras, está no rastro de profissionais para atender às demandas que vão surgir. Hoje, a empresa atua na instalação de uma unidade de processamento de gás no Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) e espera qualificar alguns dos trabalhadores desta obra para os contratos de descomissionamento que surgirem. A empresa também busca sócios estrangeiros para agregar especializações, disse o diretor de Negócios de Construção e Montagens Industriais da Método, Joel Peito.

Atualmente, há seis projetos de desmonte de plataformas marítimas já aprovados pela agência reguladora. Outros cinco estão em análise. E há mais dez previstos para serem liberados. Alguns deles incluem mais de uma plataforma. A Petrobras, por meio de sua assessoria de imprensa, informou que pretende iniciar, até 2020, o descomissionamento de dez plataformas – P-7, P-12, P-15, P-33, FPSO Rio de Janeiro, FPSO Piranema, PCA-1, PCA-2, PCA-3 (essas três últimas no campo Cação) e FPSO Rio da Ostras.

“A gente tem que entender o que a gente pode fazer para viabilizar um mercado e uma das alternativas é ter uma demanda mais flat (permanente) possível. Picos e vales são muito prejudiciais. A gente precisa ter uma visão da demanda o mais cedo possível, mas também ver outras questões regulatórias que podem ser importantes, por exemplo”, afirmou o gerente de Descomissionamento da Petrobras, Eduardo Zacaron, no evento sobre o tema promovido pela FGV Energia.

A ANP espera publicar a nova regulamentação, construída em parceria com o Ibama e a Marinha, até o início de novembro.

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