Gerenciamento digital de campos de óleo e gás: a nova vertente tecnológica da indústria

Cristiano Silva Cristiano Rosa 31 de março de 2019 0 Comments

Essas inovações permitiram que a produção do pré-sal no Brasil se tornasse bastante competitiva, fortalecendo a cadeia de operadores e fornecedores

Historicamente, o setor de óleo e gás é uma grande desenvolvedora de tecnologia o que a permitiu conquistar locais antes inimagináveis. As operações no pré-sal são o mais recente exemplo de sucesso desses avanços na área da tecnologia digital. Mesmo com profundidades desafiadoras e enfrentando condições severas de temperatura e pressão, as técnicas conseguiram reduzir significativamente os custos de exploração e produção (E&P) nas camadas mais profundas do solo marinho.

Essas inovações permitiram que a produção do pré-sal no Brasil se tornasse bastante competitiva, fortalecendo a cadeia de operadores e fornecedores. Contudo, o futuro demanda novos desafios, e o conceito de digitalização é a nova fronteira a ser superada.

Para melhorar ainda mais a performance nas operações onshore e offshore, sobretudo nos processos de monitoramento de E&P, a gestão digital está sendo acelerada em diversas frentes. Análise das características dos reservatórios, controle de poço, pressão e fluxo de óleo e gás nas linhas de escoamento são alguns segmentos que terão seus dados mais bem trabalhados com o gerenciamento digital.

Libr@ Digital e Digital Twin

Em 2017, a Petrobras e seus parceiros implantaram um projeto piloto de gerenciamento digital na área de Libra, na Bacia de Santos – a primeira do pré-sal a ser leiloada sob o regime de partilha da produção e que é operada pela companhia brasileira. O Libr@ Digital vai usar novos processos e tecnologias digitais para obter dados que ajudarão a criar soluções inovadoras para serem utilizadas nos campos em operação comercial.

O projeto está sendo aplicado num poço que atingiu 6 mil metros de profundidade no solo marinho e produz 50 mil barris/dia de óleo equivalente. Localizado no campo de Mero – descoberto na área de Libra e declarado comercial no final do ano passado –, o poço é monitorado por milhares de sensores. Com ferramentas digitais e inteligência artificial, os profissionais conseguem gerar e processar um enorme volume de dados e obter respostas mais rápidas.

Uma tecnologia que tem sido fundamental para essa nova estratégia digital é o Digital Twin, ou gêmeo digital. Trata-se de réplicas virtuais de instalações, unidades ou equipamentos mais complexos, nas quais é possível realizar simulações, testes e inúmeras atividades em cenários distintos.

As informações obtidas permitem criar respostas a possíveis falhas em circunstâncias reais similares às testadas no Digital Twin. Isso possibilita, por exemplo, atuar de forma mais efetiva na manutenção preditiva. Outro ganho é que os dados gerados oferecem um melhor entendimento sobre o funcionamento dos reservatórios e viabilizam o desenvolvimento de soluções para aumentar o fator de recuperação da área.

*Essa matéria foi produzida durante a Rio Oil & Gas 2018

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