BRASIL POSSUI RESERVAS DE GÁS DE XISTO EM TERRA MAIORES QUE O PRÉ-SAL

Cristiano Silva Cristiano Rosa 3 de maio de 2019 0 Comments

O GÁS DE XISTO EM TERRA É NOSSO

Em janeiro de 2013, a diretora-geral da Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP), Magda Chambriard, apontou que o Brasil deve possuir reservas de gás não convencional, ou gás de xisto, de até 500 trilhões de pés cúbicos, em terra.

Ela chegou a dizer a jornalistas que: “isso é muita coisa, mais que o pré sal, se for verdade”.

LEILÕES & MERCADO

Pesquisas iniciais da ANP apontaram que as maiores incidências do gás não convencional, também chamado de gás de xisto, estão nas bacias de Parecis (em Mato Grosso), Parnaíba (entre Maranhão e Piauí), Recôncavo (na Bahia), Paraná (entre Paraná e Mato Grosso do Sul) e São Francisco (entre Minas Gerais e Bahia), disse à Reuters Olavo Colela, assessor da diretoria da ANP.

Xisto Brasil

Entre os estudos da ANP, os menos avançados estão na bacia do São Francisco, uma vez que já existem contratos de concessão para extração de gás convencional na região e empresas privadas avaliam a área.

Bacias localizadas na floresta amazônica ou em mar, mais complexas, ficariam de fora das primeiras licitações.

“O gás é o mesmo, mas a forma de produção e o reservatório são diferentes. É um reservatório com mais porosidade (o de xisto), como se fosse uma esponja, e é preciso fazer o fraturamento desses poros com água para que saia o gás”, explicou Colela.

O gás de xisto mudou a matriz energética dos EUA nos últimos anos, derrubando os preços da commodity no mercado doméstico.

Lá, as cotações caíram de entre 10 dólares a 13 dólares por milhão de BTU (unidade padrão de volume de gás) para algo em torno de 2 dólares por milhão de BTU.

No Brasil ainda não existe uma perspectiva de preços a serem obtidos com o gás não convencional, mas dificilmente os valores cairiam ao patamar norte-americano.

Lá houve uma explosão da produção e os Estados Unidos não possuem autorização para exportar ainda. Essa sobreoferta derrubou os preços.

Xisto

EXTRAÇÃO

Embora tenha potencial de ser abundante e barato, o gás de xisto tem extração polêmica.

Teme-se que o processo de fraturamento hidráulico da rocha, necessário para a retirada do gás, possa gerar contaminação dos lençóis freáticos.

O risco ambiental de extração de gás não convencional não é maior que a produção convencional em mar, visto que há a possibilidade de vazamentos como o que ocorreu no Golfo do México.

Mas no caso de contaminação de lençol freático, isso é mais próximo das pessoas, chega às torneiras das casas.

A polêmica é positiva na medida em que se construa e se pesquise toda uma rede de segurança ambiental com as verbas que o governo arrecade com as concessões nos leilões.

RESERVAS

Em 2013, as reservas de gás no país eram de 32 trilhões de pés cúbicos (TCF), mas a agência de energia do governo dos Estados Unidos (AIE) afirmava que somente a bacia do Paraná teria potencial para 226 TCF.

Xisto Brasil

O provável volume de 500 TCF no Brasil seria dividido da seguinte forma: 202 TCF nas bacias do Parecis, Parnaíba e Recôncavo, mais os 226 TCF da bacia do Paraná estimados pela AIE, e 72 TCF na bacia do São Francisco.

Até então, a produção de gás não convencional no Brasil era praticamente inexistente. A única exploração do gênero era feita pela Petrobras, no município de São Mateus do Sul (PR). A estatal produz lá uma quantidade pequena de óleo e gás via fraturamento.

COMPETITIVIDADE

Possuir mais que o Pré-Sal em reservas de gás em terra é algo muito sério e o país precisa copiar o processo americano com urgência, com padrões de segurança ambiental semelhante ou até superiores.

A competitividade de nossa indústria será alterada pesadamente ao longo desse processo, que completa a modernização geral em curso.

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Os tão sonhados investimentos terão assim como aportar no Brasil alegremente.

Simples assim, desde que haja expressivo beneficiamento industrial advindo desse gás extraído com forte rede de segurança ambiental.

Fonte Editoria de Arte/Folhapress

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