A ART garante segurança ou qualidade em um serviço de engenharia?

Jair Brasil Jair Brasil 29 de março de 2019 0 Comments

A ideia de escrever este artigo foi de uma propaganda do CREA que falava que no carnaval do Rio ia ser exigido ART para umas estruturas das escolas de samba. Aí me veio as perguntas: A ART garante segurança ou qualidade em um serviço de engenharia? A sociedade de fato terá algum benefício com esta exigência? Para mim a resposta é: não. O que garante a segurança e a qualidade, é a competência do profissional ou empresa que executa os serviços. A ART garante que o profissional ou a empresa que fez o serviço é habilitada, ou seja, tem o respaldo governamental para exercer a atividade de engenharia. Garante a legalidade do ato, o que é importante, mas não é o suficiente. E como o CREA concede esta habilitação? Este é um dos pontos fundamentais. Vou exemplificar para ficar mais fácil: o CREA concede habilitação para fazer projetos de instalações elétricas a engenheiros civis. Será que eles têm conhecimento para realizar esse serviço? Aqui não estou entrando no mérito da tensão que existe entre os engenheiros eletricistas e os engenheiros civis sobre esse assunto. Por exemplo, eu conheci um engenheiro civil em São José dos Campos na década de 90 – o engenheiro Solha – que era civil, mas tinha um conhecimento estupendo de instalações elétricas. Inclusive, tem um item na NBR 5410 que o Solha teve uma importante contribuição na sua definição, segundo o que me disse o engenheiro Ademaro Cotrim. Veja, nunca discuti o fato de que o Solha fosse capaz de fazer um projeto elétrico com segurança e qualidade, porque tenho certeza que era. Estou falando na forma genérica com que é feita a habilitação, acho – para ser honesto não posso afirmar – que a grande maioria dos engenheiros civis não conhecem a NBR 5410 o suficiente para fazerem projetos elétricos, e o CREA permite que eles façam e emitam a ART. Então, para que serve a ART, do ponto de vista do usuário? Para saber quem punir se houver um problema no futuro.

Isto também acontece em concorrências de serviços de engenharia. Um cliente fala que o preço de um determinado profissional está caro e que o

outro concorrente também emite a ART. E daí? Novamente neste caso, estamos dando um valor à ART que ela não tem.

Eu sei que este assunto é polêmico e muitos podem discordar, mas é esta a motivação do meu artigo. Vamos discutir o assunto de diferenciar os serviços de engenharia simplesmente entre os que emitem ART e os que não emitem, como se os que emitissem ART fosse todos iguais.

FONTE: JOÃO CUNHA DIRETOR MI OMEGA ENGENHARIA

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